05/06/2018

Obesidade infantil: atenção aos fatores associados

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Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde, mostra que uma em cada três crianças brasileiras, com idade entre 05 e 09 anos, está acima do peso recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A OMS considera a obesidade uma epidemia mundial dependente principalmente do hábito alimentar e de atividade física dos indivíduos e sua prevalência crescente vem sendo atribuída a diversos processos, em que o “ambiente” (político, econômico, social, cultural), e não apenas o indivíduo e suas escolhas, assume um lugar estratégico na compreensão do problema e no planejamento de propostas de intervenções que contribuam com o seu controle e redução.

Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da a obesidade infantil. A nutricionista Viviane de Castro Teixeira Alvarenga explica que a causa da doença é multifatorial.  A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de peso e costuma ser causada pela associação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais.

A obesidade infantil está associada à uma combinação de fatores de exposição das crianças a um ambiente obesogênico (ambiente que favorece comportamentos relacionados à ingestão de alimentos densamente calóricos e sedentarismo), comportamentos inadequados e respostas biológicas a esse ambiente. Muitas crianças hoje estão crescendo em ambientes que incentivam o aumento de peso e a obesidade.

Com a globalização, a urbanização, o aumento da renda, a adoção de modos de vida mais sedentários, a exposição ao ambiente obesogênico é aumentado em todos os grupos socioeconômicos. Segundo a OMS, o aumento da obesidade infantil decorre da alteração na disponibilidade e tipo de alimento consumido, associado a um declínio na atividade física da criança, que resultam em desequilíbrio energético.

Como consequência desse aumento, são observadas repercussões importantes, como o desenvolvimento precoce de doenças crônicas como resistência à insulina, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares; distúrbios psicológicos e obesidade na vida adulta.

» Leia no Blog da Saúde cinco dúvidas sobre obesidade infantil

Os hábitos alimentares das crianças são formados ainda na barriga da mãe e se estendem nos primeiros anos de vida.  Para evitar que se tornem adultos com excesso de peso (obesos ou com sobrepeso), os pais devem contribuir para que seus filhos tenham uma alimentação adequada e saudável.

A gestante deve optar por alimentos saudáveis, limitar o consumo de alimentos processados e evitar alimentos ultraprocessados. Saiba o que são  alimentos processados e ultraprocessados no Guia Alimentar para a População Brasileira, disponível para download.

Antes dos dois anos, os pais não devem fornecer açúcar e alimentos ultraprocessados para seus filhos. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (2013) apontam que 60,8% das crianças menores de 2 anos comem biscoitos ou bolachas recheadas. Também devem manter distância dos pequenos de suco de frutas, refrigerantes, e comidas industrializadas

A nutricionista Viviane de Castro Teixeira Alvarenga recomenda, ainda, que seja evitado desde cedo o contato com realçadores de sabor e adoçantes artificiais, sendo que a alimentação deve ser baseada em alimentos in natura e minimamente processados.

A prática de atividades físicas é fundamental para todas as etapas do desenvolvimento infantil e auxilia no equilíbrio do balanço energético e, consequentemente, na prevenção e tratamento da obesidade e de doenças relacionadas à obesidade nesta fase da vida

“Exercícios devem ser feitos com o corpo e não só com a mente e os dedinhos”, alerta a nutricionista sobre a quantidade de horas que os pequenos gastam na frente de tablets e computadores. Além de evitar doenças crônicas, como diabetes e outras cardiovasculares, os esportes auxiliam até na melhora do rendimento escolar.  

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 1,9 bilhão de pessoas estão acima do peso e 600 milhões são obesas. E, para enfrentar essa situação, que permeia toda a população e todas as idades, em 2017 o  governo brasileiro assumiu como compromisso atingir três metas para reduzir a obesidade.

A primeira delas é deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional. A segunda pretende reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019. A última objetiva ampliar, em no mínimo de 17,8%, o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019.

 

 

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