26/02/2018

Fique atento aos agravos nutricionais

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Uma das maiores preocupações com o excesso de peso é que ele aumenta a prevalência de doenças crônicas associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão. Segundo dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, quase 20% dos brasileiros sofre com obesidade. “A obesidade e a desnutrição são doenças nutricionais que podem ou não ser relacionadas a problemas alimentares. Antigamente a obesidade e a desnutrição eram enxergadas como consequências, ou seja, se a pessoa tinha câncer, os outros achavam ‘normal’ ela estar mais magra, ou se a pessoa era obesa apontavam somente o sedentarismo, por exemplo. Hoje, os dois são percebidos como doenças”, explica Ana de Oliveira Parada, médica nutróloga do Hospital Universitário de Brasília (HUB).

Em função de sua magnitude e velocidade de evolução, o excesso de peso – que compreende o sobrepeso e a obesidade – é considerado atualmente um dos maiores problemas de saúde pública, afetando todas as faixas etárias. A mãe pode contribuir para os cuidados com o seu filho em relação à desnutrição ou obesidade desde a sua gravidez. “A mãe precisa ter uma alimentação adequada e saudável, praticar atividade física, ou seja, atitudes que vão favorecer a saúde do seu filho em longo prazo. E depois que a criança nasce, a mãe deve continuar tendo cuidado com a alimentação, como prover apenas o leite materno até os seis meses de vida e manter o aleitamento materno até os dois anos de idade. E lembre-se de não oferecer açúcar nos primeiros dois anos de vida da criança. Essas ações já vão reduzir bastante os agravos nutricionais na criança”, lembra Ana.

Segundo a médica, os cuidados com a alimentação da criança devem perdurar para que o objetivo seja alcançado na vida adulta. “Durante a introdução alimentar, a mãe tem de lembrar sempre dos alimentos saudáveis, in natura, evitar os processados e ultraprocessados, como biscoitos, sucos de caixinha e papinhas industrializadas e oferecer frutas e deixar o açúcar de lado, tudo isso vai favorecer a saúde nutricional em longo prazo. Os pais precisam também estimular a atividade física do pequeno desde a infância. Se a criança cresce com esses hábitos mais saudáveis, as chances dela ser um adulto mais saudável são enormes.”

Nunca é tarde

Para evitar a obesidade ou a desnutrição há a necessidade de se alimentar de forma mais adequada e saudável. “Eles têm de perceber que uma alimentação saudável não é composta por comida ruim ou sem gosto. O que há de se ter em mente é que macarrão instantâneo e fast food não são saudáveis e não vão fazer bem a ela. Uma alimentação variada, rica em nutrientes, colorida, baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como arroz, feijão, legumes, frutas e verduras é o essencial para uma vida saudável”, aponta Ana.

Para muitos adultos algumas barreiras são complicadas, mas é preciso ter perseverança e comprometimento. “As pessoas têm de fazer atividade física regularmente, mas algumas moram em um local perigoso e não podem fazer uma caminhada. Já outras precisam acordar no meio da madrugada para chegar ao trabalho a tempo e a falta de sono pode contribuir para a obesidade. Tem também a questão do preço dos alimentos. Infelizmente, muitas vezes o alimento industrializado acaba sendo mais barato que aquele in natura. Nesses casos, eles precisam encontrar meios para driblar os problemas. Tente fazer uma horta em casa ou vá à feira no fim para tentar alimentos com preço mais em conta. Vale o esforço para conseguir uma alimentação mais saudável”, ressalta a médica.

Nem tudo é o que parece

Ana de Oliveira Parada lembra que quando se trata de agravos nutricionais as aparências enganam. É comum ligarmos o peso do indivíduo ao problema – ao à ausência dele –, quando na verdade o caso é um pouco mais específico.

“Um grande problema de hoje é que temos adultos com deficiência nutricional. Eles consomem até muitas calorias, mas não variedade de nutrientes. As pessoas sempre ligam a desnutrição à pessoa magra, mas podemos ter um obeso com carência nutricional, ou seja, ele está desnutrido do ponto de vista de micronutrientes e oferta de proteínas. Existem muitos casos de pessoas obesas que fazem dieta por conta própria e acabam com sérias deficiências nutricionais. Ela perde peso, mas também muitos nutrientes nesse processo. E muitas vezes ela volta ao peso original e não recupera os nutrientes que ela perdeu naquela dieta”, alerta a médica.

É por isso que temos de ter em mente que uma alimentação saudável e adequada é variada e rica em alimentos in natura ou minimamente processados. Tenha sempre à mesa frutas, legumes e verduras e procure preparar as suas refeições em casa e se for necessário, congele o almoço ou jantar em pequenas porções. Evite gorduras saturadas, sal, açúcar e alimentos ultraprocessados. Se tiver dúvida, consulte o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde. A publicação te orienta quanto às práticas alimentares adequadas e saudáveis, que contribuirão para a promoção da sua saúde.

Confira o Guia Alimentar para a População Brasileira
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira.pdf

Foto: Karina Zambrana 

 

 

 

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